Adubação, Solos e Pastagem

Lagartas em pastagens

As plantas forrageiras, assim como outras culturas, são atacadas por várias pragas que podem, se não controladas a tempo, dizimar toda área plantada. Algumas pragas exigem programas de controle sistemáticos e bem planejados, pois ocorrem todos os anos atacando grandes áreas. É o caso da cigarrinha–das–pastagens, tida como uma das pragas de mais difícil erradicação no Brasil.

Outras pragas existem, que embora não ocorrendo constantemente exibem uma voracidade tal que constituem ameaças graves para as quais o produtor deve estar atento. As lagartas são pragas potenciais que, assim como os gafanhotos, são capazes de devorar rapidamente imensas áreas produtivas. Ocorrem esporadicamente e constituem-se em formas jovens de mariposas e borboletas. Por esta razão, comem continuamente até o momento de empuparem para transformarem-se em adultos. Seu aparelho bucal, do tipo mastigador, e sua mobilidade lhe conferem capacidade de "roer" rapidamente as folhas, reduzindo drasticamente a capacidade de suporte da pastagem. O prejuízo é pior em pastagens em formação.

Duas lagartas são mais importantes. Outras de menor importância e de ocorrência esporádica não se constituem normalmente em problema sério. As mais problemáticas são a Mocis latipes, conhecida como coruquerê dos capinzais, e a Spodoptera frugiperda ou lagarta militar. Ambas são desfoliadoras vorazes que apresentam diferenças e semelhanças que serão abordadas nesse trabalho.

O coruquerê dos capinzais é a lagarta mais freqüente e mais voraz, que ataca vários tipos de gramíneas, incluindo arroz, cana e milho. Por se tratar de praga polífaga, outras culturas são eventualmente atacadas, como as leguminosas, forrageira, siratro e soja perene. O adulto desta praga é uma mariposa de hábitos noturnos, não se diferenciando em muito de outras mariposas; as asas são cinza-escuras e quando totalmente distendidas chegam a 4 cm de envergadura. Quando pousam, mantém as asas fechadas, adquirindo aspecto de um triângulo de base estreita. Após períodos quentes e chuvosos, voam sobre as pastagens depositando os ovos nas páginas inferiores das folhas. Geralmente a ovoposição se dá nos mesmos locais onde já ocorreram surtos ou nas proximidades. Após dez dias os ovos eclodem, dando origem a lagartinhas que raspam a página inferior das folhas para logo a seguir passar a devorá-las pelos bordos. O período larval dura 25 dias e, no fim deste período, as lagartas chegam a 4 cm de comprimento. São finas (aproximadamente 3 mm de diâmetro), de coloração pardo-escura com faixas longitudinais amarelas. A cabeça é pequena, em forma de globo com muitas estrias amarelas. Apresentam três pares de patas anteriores e dois pares de falsas patas na parte posterior do corpo, o que lhes confere o típico andar "mede palmo". No final do período larval, tecem um casulo nas dobras das folhas ou descem até o pé das plantas, onde empupam, permanecendo neste estágio por 12 dias, da pupa surge novamente o adulto. Estima-se que possam existir até quatro gerações anuais, se o ciclo da praga não for interrompido.

A lagarta militar (Spodopptera frugiperda) é de ocorrência menos freqüente, porém tão voraz quanto o coruquerê. É uma praga cosmopolita que ataca as mais variadas culturas. A mariposa é pardo-escura com 3,5 cm de envergadura. Também tem hábitos noturnos e coloca os ovos na página inferior ou superior das folhas, agrupados em número de 50 a 100, cobertos por uma crosta pulverulenta de cor cinza.

Os ovos eclodem após três a nove dias e lagartinhas agrupadas passam a raspar o limbo foliar. Após trocas de peles, as lagartas tornam-se mais vorazes, destruindo as folhas a partir do centro, deixando-as "esburacadas". No seu estágio final, as lagartas medem 3 a 5 cm de comprimento e diâmetro de 0,5 cm. Distinguem do coruquerê pela coloração que é parda-escura, quase preta, com várias estrias longitudinais e pontos pretos brilhantes pelo corpo. A cabeça de cor preta tem três estrias brancas, que formam um "V" invertido. Diferentemente do coruquerê, apresentam três pares de patas anteriores e quatro pares de falsas patas na parte mediana do corpo. Ao final de 30 dias de período larval, descem ao solo e escavam até aproximadamente 1 cm de profundidade, onde empupam. O período pupal dura 21 dias, ao final do qual surge a mariposa. O número de gerações é bem grande, devido ao fato de a praga atacar várias culturas, sobrevivendo durante todo o ano até mesmo em plantas invasoras. Outro fato importante sobre a lagarta militar é a ocorrência de canibalismo quando a densidade populacional é alta. Assim, raramente se vêem duas lagartas sobre a mesma folha.

O produtor normalmente não distingue as duas lagartas, mas a identificação correta da praga é importante, pois o controle da lagarta militar costuma ser mais difícil que o de coruquerê.

As pastagens são formadas por plantas, perenes ou semiperenes, o que faz com que abriguem um grande número de inimigos naturais e formas de vida cujo papel é manter o equilíbrio biológico. Aves, como anús, gaviões, andorinhas e os pica-paus são grandes consumidores de insetos. Sapos e rãs são "gourmets" que têm predileção pelos insetos alados, e muitas espécies de insetos predadores e parasitas se alimentam de insetos menores que escapam de aves e répteis.

Embora as lagartas sejam muito susceptíveis a inseticidas tradicionais, estes produtos devem ser evitados, pois acarretam vários efeitos negativos, eliminando não só a praga mas também os inimigos naturais dela. Além disso, são tóxicos, o que obriga o produtor a retirar os animais da pastagem, por um período mínimo, até que o resíduo tóxico do produto tenha desaparecido para evitar contaminação na carne e /ou no leite. Isto sem falar da possibilidade de contaminar rios e córregos por resíduos levados pelas águas das chuvas ou da irrigação.

Em alguns casos, não existem outras maneiras de controlar certos insetos sem usar inseticidas. É o caso de gafanhotos. Porém, a pesquisa vai descobrindo métodos naturais de controle, os quais eliminam a praga sem afetar o meio ambiente. É o caso do uso do fungo entomógeno Metarrhizium anisopliae no controle de cigarrinhas-das-pastagens, cupins, etc. As lagartas podem ser controladas com puverizações de produtos à base de Bacillus thuringiensis, vendidos comercialmente com os nomes de DIPEL, BACTOSPEINE, ZOOCAMP-78 e THURICIDE. Estes produtos são constituídos de esporos de B. Thuringiensis e cristais tóxicos de origem protéica. Ao ingerir o produto, a lagarta se contamina com os cristais que perfuram seu intestino, fazendo que os esporos da bactéria circulem pelo seu corpo e germinem. Em poucas horas a lagarta apresenta uma infeção generalizada, que a paralisa por completo, causando a sua morte dois dias após a pulverização.

Os produtos acima são recomendados para o controle biológico do coruquerê dos capinzais e outras lagartas desfolhadoras. Entretanto, para a lagarta militar, devido a uma particularidade de seu sistema digestivo, o que a torna menos susceptível ao Bacillus, recomenda-se aplicar uma dose bem maior do produto, o que torna o custo de tratamento antieconômico. Por isso, quando ocorrer apenas esta lagarta ou ela prevalecer sobre o coruquerê, deve-se optar pelo controle químico.

A aplicação pode ser feita por avião, trator ou pulverizador costal. A dosagem usada deve ser de 400 a 600 gramas/ha. A aplicação deve ser feita logo que se observem as primeiras lagartas, devendo a solução atingir a lagarta, o que facilitará a ingestão do produto. Para melhor aderência do produto, recomenda-se que, ao preparar a solução, seja adicionado um bom espalhante adesivo.

Além do controle biológico, outras medidas podem ser postas em prática. Assim, o emprego de rolo-facas sobre a população das lagartas na pastagem, uso de fogo, abertura de valas para dificultar a passagem delas para outras áreas. Nestas valas poderão ser aplicados produtos químicos brandos.

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