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Importância da Cana-de-açúcar + Uréia na Alimentação Animal

A estacionalidade de produção das pastagens, na maior parte do país afeta a disponibilidade e a qualidade da forragem, ocasionando efeitos limitantes ao bom desempenho animal. Havendo a necessidade de suplementação alimentar do rebanho no período seco para que sejam obtidos bons níveis de produtividade. A cana-de açúcar mais uréia é uma excelente alternativa, para esse fim.

A cana-de-açúcar foi provavelmente um dos primeiros recursos forrageiros usados pelos colonizadores na alimentação de ruminantes durante o período seco do ano no Brasil. Inicialmente foi utilizado como fonte de volumoso para pequenos rebanho no período seco e para alimentação em anos de adversidades climáticas. A cana é relativamente fácil de ser implantada e manejada, possui boa aceitação pelos animais e baixo custo de produção. Além disso, pode atingir rendimentos de até 120 t de matéria verde por hectare (36 t de matéria seca e cerca de 15 t de nutrientes digestíveis totais / ha). Sendo que, 1 ha pode ser suficiente para suplementar 50 vacas na época da seca.

O ponto de colheita da cana coincide com o período seco do ano e com a falta de pasto. Apresenta boa fonte de energia na forma de açúcar que é altamente solúvel no rúmen do animal. Entretanto, a cana-de-açúcar possui baixos teores de proteínas, que pode ser corrigido com adição de uréia, e também baixos teores de minerais, tais como fósforo, enxofre, zinco e manganês que pode ser feito correção com suplementação mineral adequada. A inclusão de uréia à cana picada vem sendo bastante utilizada e difundida em diversas regiões do país. Visto que ela é de fácil aquisição, custo relativamente baixo e apresenta resultados bastante satisfatórios sobre o desempenho animal.

O nitrogênio não protéico oriundo da uréia são transformados pelas bactérias existentes no rúmen dos bovinos em proteína microbiana. Para tanto, utilizam a energia proveniente da cana e enxofre. Como a cana-de-açúcar é deficiente deste mineral (0,03% na MS), há necessidade da inclusão de fontes de enxofre à uréia. Pode-se utilizar o sulfato de amônia.

Antes do fornecimento é aconselhável armazenar a cana em local ventilado, fornecer aos animais no máximo dois dias após a colheita e deve ser triturada somente no momento de dispô-las ao rebanho. Para o fornecimento da mistura aos animais é necessário uma semana de adaptação. Pode-se usar 450 gramas de uréia+50 gramas de sulfato de amônia diluídos em 4 litros de água, regados uniformemente sobre 100 kg do material triturado, ou seja, 0,5% da mistura à cana picada. Após o período de adaptação, pode-se ampliar a quantidade para 900 gramas de Uréia +100 gramas de sulfato de amônio diluídos em 04 litros de água, regados uniformemente sobre 100 kg do material triturado, ou seja, 1% da mistura à cana picada.

Para obter um resultado eficiente, alguns cuidados são necessários, tais como: seguir rigorosamente o período de adaptação dos animais; não fornecer cana+uréia para animais em jejum; permitir livre acesso do rebanho a água e minerais; fornecer a mistura em cocho coberto ou perfurado, para evitar o acúmulo de água e jogar fora a sobras do dia anterior.

A intoxicação por uréia dificilmente ocorrerá se todas as recomendações forem seguidas. Sendo que os bovinos toleram o consumo de até 40 g de uréia para cada 100 kg de peso vivo. A sua utilização de forma adequada é uma das opções mais interessantes para manter e/ou estimular o ganho de peso dos animais no período seco.

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