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Biossegurança e cuidados sanitários para frangos

No Brasil, país grande exportador de carne de frango, a necessidade da implementação de medidas de biossegurança no setor produtivo é cada vez maior. Uma vez que problemas sanitários graves, podem comprometer a exportação de produtos avícolas, essas medidas devem ser adotadas tanto visando a obtenção de melhores resultados de produção quanto devido ao comprometimento do setor com a produção regional e nacional.

A biossegurança é um conjunto de medidas aplicadas em todos os segmentos da criação das aves, objetivando principalmente:

  • Diminuir o risco de infecções e aumentar o controle sanitário dos plantéis;
  • minimizar a contaminação do ecossistema; e
  • resguardar a saúde do consumidor do produto.

Os cuidados com a saúde das aves começam ainda na escolha do local para a construção do aviário e das linhagens que serão introduzidas na granja.

Principais fatores a considerar:

Conscientização:
É fundamental a conscientização de todos os funcionários da granja quanto à importância e à necessidade do isolamento das instalações e da implantação de medidas rigorosas para reduzir a probabilidade de introdução de doenças.

Aquisição dos pintos:

  • Adquirir pintos de incubatórios idôneos, livres de micoplasmose, aspergilose e salmonelose, provenientes de matrizes com níveis adequados de anticorpos contra as principais doenças como: Gumboro, Bronquite Infecciosa das Galinhas, Newcastle, Encefalomielite, Coriza Infecciosa e Varíola Aviária. Todos os pintos devem ser vacinados ainda no incubatório, contra a doença de Marek.

Localização do aviário:

  • O aviário deve estar localizado em local tranqüilo, rodeado por árvores não frutíferas e cercado com tela de arame, para evitar o livre acesso.
  • Observar distância de um quilômetro, entre granjas de frangos de corte. Entre um aviário e outro, a distância deve ser de no mínimo de 100 metros.
  • É importante manter, nos limites de cada granja, diferentes áreas de acordo com o grau de contaminação:
  • Área limpa: Localizada nas imediações do aviário, junto às aves;
  • Área de interface: Área intermediária, localizada entre a entrada da granja e o aviário, onde é feita lavagem e desinfecção de veículos, devendo existir um local para troca de calçados e roupas. Nessa área localizam-se silos, depósitos de gás, depósito de equipamentos;
  • Área suja: Local fora de granja e por onde circulam dejetos de materiais considerados contaminados.
  • Para circulação dentro da granja, providenciar diferentes acessos:
  • Estrada limpa: para transporte de ração, aves e equipamentos e
  • Estrada suja: para a retirada de camas e aves de cada núcleo.

Limpeza e desinfeção:

  • É imprescindível limpeza completa e posterior desinfeção do aviário e equipamentos entre um alojamento e outro.
  • Após a retirada do lote, fazer limpeza completa do aviário:
  • Retirar todos os utensílios utilizados no aviário, remover a cama;
  • Lavar com água sob pressão todos os equipamentos do aviário (comedouros, bebedouros, telas, cortinas, paredes);
  • Desinfetar o aviário: Os princípios ativos dos desinfetantes mais utilizados são: amônia quaternária, formol, cloro, iodo, cresol e fenol;

Caiar o aviário:

  • Redistribuir a cama. Colocar sempre cama nova nos círculos de proteção.
  • Proceder uma nova desinfecção do aviário: É importante fazer rodízio periódico do princípio ativo do desinfetante utilizado;
  • Após esses cuidados, manter o galpão fechado por mais quatro horas.

Manejo Sanitário:

  • Evitar trânsito de pessoas, animais e veículos próximo aos aviários;
  • Fazer a troca obrigatória de calçados e roupas (se possível, adotar a prática de tomar banho) antes de entrar na granja;
  • Todos os acessos ao aviário devem possuir um recipiente com solução desinfetante para que as pessoas desinfetem os calçados (pedilúvios). Onde houver trânsito de veículos, utilizar o rodolúvio;
  • Proceder a desinfecção de veículos e todos os utensílios, antes de entrarem na granja;
  • As aves devem ser criadas no sistema "todos dentro, todos fora";
  • Observar o vazio sanitário de pelo menos 10 dias entre um lote e outro de frangos;
  • Observar diariamente a limpeza dos bebedouros bem como do aviário e suas imediações;
  • Fazer o controle de moscas e ratos;
  • Incinerar ou enterrar as aves mortas em fossas sépticas ou utilizar compostagem;
  • Ter controle sobre a origem e qualidade da matéria prima utilizada na produção da ração e evitar o uso de produtos de origem animal;
  • Fornecer às aves somente água potável e tratada;
  • O produtor deve estar atento quanto às doenças existentes na região.
  • Programas de vacinação para frangos de corte não são utilizados com freqüência, uma vez que o ciclo de vida de um lote é curto. No entanto, quando necessário, o esquema de vacinação deve atender as condições reais de cada região de acordo com o desafio sanitário de campo;
  • Aves doentes não devem ser vacinadas.
  • O acompanhamento da saúde do lote é muito importante, dessa forma sempre que se fizer necessário, consulte um médico-veterinário.

A Ascite dos frangos, não é um problema infeccioso mas de origem genética que ocorre principalmente nas linhagens de crescimento rápido, atingindo em maior proporção os machos. Caracteriza-se pelo acúmulo de líquido na cavidade abdominal, por isso também conhecida como "Barriga d”água dos frangos" ou Síndrome Ascítica.

Frangos com ascite mostram-se apáticos, apresentando crista e barbela arroxeadas e penas eriçadas. Com a evolução do processo, observa-se distensão do abdome e acúmulo de líquido claro (seroso), na cavidade abdominal. As aves apresentam dificuldade de locomoção, perda de peso e em poucos dias morrem.

As perdas por ascite são elevadas em conseqüência da morte de frangos a campo, durante o transporte e devido a condenação no abatedouro, pelo aspecto repugnante das carcaças afetadas.

Porque ocorre a ascite?

  • Os avanços tecnológicos alcançados nas diferentes áreas, especialmente na genética e nutrição, permitem ao frango de corte atual, uma alta taxa de crescimento corporal. No entanto, esse crescimento não ocorre nas mesmas proporções em órgãos importantes como coração e pulmões.
  • O frango ganha rapidamente peso, exigindo maior trabalho do coração e dos pulmões que não conseguem oxigenar devidamente toda a massa muscular, determinando assim transtornos em diversos órgãos. Por isso, todos os fatores, que direta ou indiretamente causem dificuldades de oxigenação às aves, desencadeiam e agravam a quadro de ascite.

Principais lesões:

  • Os frangos com ascite apresentam o coração aumentado de tamanho e flácidos (amolecidos). Os pulmões estão congestos e edematoso (inchados) rompendo-se facilmente. O fígado apresenta-se congesto (com acúmulo anormal de sangue) e com as bordas aumentadas. Esses transtornos facilitam a passagem de líquido para a cavidade abdominal que, em grande quantidade, comprime as vísceras abdominais deixando-as congestas. O líquido dentro da cavidade abdominal é rico em proteínas e de aspecto límpido, no entanto, ao abrirmos a cavidade na presença de oxigênio, torna-se gelatinoso.
  • Principais fatores associados a ocorrência da ascite:
  • Todas as condições que direta ou indiretamente reduzem o suprimento de oxigênio ou que aumentem a necessidade desse pelas aves, predispõem à ascite.


Os principais fatores que aceleram a manifestação da Ascite são:

  • Linhagens com rápido ganho de peso inicial;
  • aves do sexo masculino;
  • altitudes elevadas no local de criação;
  • grandes oscilações de temperatura;
  • ventilação inadequada nos galpões
  • estresse excessivo;
  • elevados níveis de amônia e gás carbônico dentro dos aviários;
  • doenças respiratórias;
  • alimentos que promovam o aumento a pressão sangüínea, como o Cloreto de Sódio;
  • elevados níveis nutricionais na ração.

Esses fatores podem agir isoladamente ou associados entre si, resultando no aumento do metabolismo basal e em deficiência da oxigenação das aves.

Controle da Ascite:

  • controle da ascite, baseia-se em reduzir todas as condições que predisponham às aves a um quadro de deficiente oxigenação, seja pelo aumento da demanda ou pela redução do suprimento de oxigênio nos tecidos. Sendo assim recomenda-se os seguintes cuidados:
  • não alojar frangos de corte machos em locais de altitudes elevadas, (acima de 1.500 metros;
  • não estimular excessivamente o crescimento corporal dos frangos, nas duas primeiras semanas de vida;
  • observar o nível de Sódio na dieta. Na água são toleráveis níveis de até 50 ppm de Sódio para 14 ppm de Cloro. Já na ração, deve permanecer de 0.16% a 0.20%;
  • evitar o excesso de poeira no aviário, mantendo adequada ventilação;
  • manter uniforme e adequada a temperatura interna do aviário, principalmente durante as três primeiras semanas das aves, evitando-se variações acima de 2ºC. Para tanto podem ser utilizadas as chamadas "estufas" ou cortinas suplementares. A temperatura ambiente junto aos pintinhos na primeira semana, deverá ser de 32ºC, reduzindo-se 3ºC a cada semana, até atingir 20ºC na quinta semana de vida;
  • reduzir as causas de comprometimento pulmonar tais como doenças respiratórias, aspergiloses, excesso de poeira, alta concentração de amônia (níveis abaixo de 11,00 ppm) e de monóxido de carbono (níveis abaixo de 70 ppm);
  • utilizar rações de boa qualidade;
  • a redução da densidade energética da ração também é recomendada, porém mudanças nos valores nutricionais devem ser analisados quanto ao ganho de peso final desejado, pois essa medida acarretará menor desempenho do lote.

A síndrome ascítica em frangos de corte tem aumentado sua incidência e acomete, atualmente, frangos machos e fêmeas tanto em altas como em baixas altitudes, ocorrendo mundialmente. Por se tratar de um problema de origem genética, as recomendações feitas servem para minimizar sua manifestação e reduzir as perdas econômicas, mas não são suficientes para eliminar o problema.

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