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Avicultura Alternativa – Um bom negócio para pequenos e médios produtores

O custo elevado da ração, a dificuldade de se conseguir pintos de 1 dia e o preço do produto final, fazem com que muitos avicultores abandonem suas criações. Surge então, a chamada Avicultura Alternativa, um sistema simples de criação que vem ganhando espaço no mercado.

A avicultura alternativa visa a produção de carne e/ou ovos de galinhas caipiras (ave proveniente de cruzamentos aleatórios de várias raças) e que devido a rusticidade que apresentam, podem ser criadas em sistema de semi-confinamento, ou seja, em galinheiros com parques onde as aves podem pegar sol e ciscarem a vontade, diminuindo assim, os custos com a alimentação.

Uma outra vantagem da avicultura alternativa é que existe, hoje em dia, uma maior conscientização por parte do homem na busca de uma alimentação mais natural.

A tecnologia avícola faz com que as aves industriais (frango de corte ou poedeira comercial) produzam cada vez mais, atingindo índices zootécnicos surpreendentes. Porém, tal progresso compromete a rusticidade das aves e temos na verdade, as chamadas "aves de laboratório".

A produção da galinha caipira, mesmo daquelas melhoradas através da introdução de raças puras no plantel, nunca poderá ser comparada com a da ave industrial, mas a galinha caipira apresenta mais resistência às doenças e carne e ovos bem mais saborosos e pigmentados, permitindo comercialização a preços maiores do que os preconizados para os produtos industriais.

Na França os avicultores melhoraram geneticamente esse tipo de ave, chegando a linhagem conhecida como Label Rouge "pescoço pelado" e "sem pescoço pelado". Tanto a linhagem "pescoço pelado" com dupla aptidão (produção de carne e ovos) quanto a "sem pescoço pelado" para a produção de carne, foram trazidas para o Brasil e se adaptaram muito bem, graças ao nosso clima tropical. Essas aves atingem níveis de produção bem mais elevados que as nossas tradicionais caipiras.

Tipo de Instalação

  • Um dos objetivos da avicultura alternativa é diminuir os custos de produção. Por isso o avicultor deverá construir o galinheiro utilizando material disponível em sua propriedade.
  • O galinheiro deverá abrigar as aves à noite e em dias de chuva.
  • O piso deve ser ripado e suspenso do solo para evitar o contato direto das aves com as fezes e facilitar a coleta do esterco que será utilizado como adubo para diversas culturas, podendo ser incluído na receita do avicultor.
  • Um bom modelo de galinheiro é o apresentado pela Escola Superior de Agricultura de Lavras – ESAL, cujas medidas de 2 m de comprimento por 1,5 m de largura, têm capacidade para abrigar 20 aves, facilitando a locomoção do galinheiro quando o pasto estiver desgastado (ver figura 1).
  • Para as galinhas poedeiras é importante que se coloque ninhos no galinheiro. Utiliza-se 1 ninho para cada 4 aves. Para facilitar a coleta dos ovos, colocar os ninhos em um dos lados do galinheiro com a tampa móvel.
  • O galinheiro deverá ter a frente voltada para o norte, pois no horário em que as aves estiverem pastando, o sol irá incendir no interior do mesmo, contribuindo para evitar doenças na criação.
  • O tipo de cobertura do galinheiro vai depender do clima da região, podendo ser de telha de barro (mais indicada), palha ou até de cimento amianto (não muito aconselhável por esquentar muito no verão).
  • O uso de cortinas faz-se necessário uma vez que o galpão é telado (malha de ½ a 1"), evitando-se assim, ventos fortes ou chuvas, fatores que podem prejudicar a saúde das aves.
  • A área de pasto deverá ser telada ou cercada com bambu, com altura de 1,80 m. Calcula-se 10 m² para cada 1 ou 2 aves. A vegetação indicada para o pastejo das aves é: capim kikuio, confrei, rami, alfafa, etc. É importante que se faça um rodízio das pastagens para recuperação do solo e da vegetação. Daí a importância do galinheiro ser móvel.
  • O avicultor que optar pela produção de carne e ovos (dupla aptidão), deverá ter, no mínimo, três tipos de instalação: pinteiro (para abrigar os pintos até 30 dias de idade), frangueiro (para os machos destinados ao abate) e galinheiro (par as fêmeas em postura).

Como evitar Doenças:

  • Embora as galinhas caipiras sejam bem resistentes, elas também podem adoecer. Medidas simples como manter o galinheiro limpo, o solo sem umidade e fazer um programa de vacinação, diminuem a praticamente zero o surgimento de doenças.
  • É recomendada a vacinação das aves contra Bouba aviária (Epitelioma contagioso) e contra Newcastle, doenças comuns, acarretando elevada mortalidade.
  • Os pintos devem ser vacinados contra Bouba aviária entre o 15º e 21º dias de idade e após uma semana, o criador deverá observar a "pega" da vacina (no local aparece uma erupção). A vacina deverá ser aplicada na coxa por depenação da parte externa, esfregando a vacina no local. Revacinar as aves aos 90 dias de idade.
  • Contra Newcastle, as aves deverão receber a 1ª dose da vacina entre 7 a 10 dias de idade, por via intra-ocular ou via intra-nasal. A 2ª dose deverá ser por volta de 30 dias de idade, por via oral ou spray. E a 3ª dose deverá ser aplciada aos 90 dias de idade, também por via oral ou spray. A partir daí, fazer a revacinação a cada 3 meses.
  • Se houver necessidade, dependendo da região da criação, vacinar as aves contra outras doenças.
  • O controle das verminoses deverá ser feito com aplicação de vermífugo a cada 6 meses.

Melhoramento das aves caipiras:

Para melhorar a produção das galinhas caipiras, devemos introduzir no plantel machos de raças puras para cruzarem com as fêmeas caipiras. Esses machos deverão ser escolhidos de acordo com o objetivo da criação. As raças mais indicadas para melhoramento do plantel são:

  • Rhode Island Red (dupla aptidão)
  • New Hampshire (produtora de carne)
  • Gigante Negra de Jersey (produtora de carne)  
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