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Criador do termo BRIC diz que PIB do Brasil decepciona

Jim ONeill, que cunhou o termo BRIC em 2001 para se referir ao grupo das quatro principais potências emergentes da época (Brasil, Rússia, Índia e China), defendeu nesta terça-feira (2/9) a importâncias dessas economias no cenário global, apesar da desaceleração observada nos últimos anos.

Mesmo assim, ele reconhece que o ritmo de expansão do Brasil e da Rússia, e em menor grau também o da Índia, decepcionou.

Em um artigo publicado no site do jornal britânico Financial Times, ONeill diz que o crescimento dos BRIC (ele não inclui no grupo a África do Sul) desacelerou fortemente na década atual.

Entre 2011 e 2013, a China cresceu a uma média de 8,2% ao ano, ante um ritmo de 10,5% a.a. entre 2001 e 2010.

No caso da Índia, o crescimento desacelerou para 4,6%, de 7,6%, na mesma base de comparação. Já no Brasil a expansão passou para 2,0%, de 3,6%, enquanto na Rússia o crescimento caiu para 3,0%, de 4,6%.

“Todos cresceram menos, e em todos os casos há muitos motivos para se preocupar”, diz.

Entretanto, o ex-banqueiro aponta que no fim de 2015 o PIB combinado dos quatro emergentes deve igualar em tamanho a economia dos EUA.

“Em dólares, eles estão contribuindo para o crescimento da economia mundial nesta década três vezes mais do que os EUA”, argumenta.

“Assim, a ideia de que a importância dos BRIC acabou não é realmente credível.”

ONeill reconhece que o crescimento do Brasil, Rússia e Índia nos últimos anos ficou abaixo das suas expectativas.

“Eu de fato acredito que o Brasil e a Rússia estão passando por desafios que não estão sendo enfrentados, que em essência seria reduzir a dependência do ciclo das commodities e impulsionar a competitividade do setor privado.”

No caso indiano, ele se mostra mais otimista, especialmente após a eleição do primeiro-ministro Narendra Modi, e diz que o país ainda pode conseguir atingir um crescimento médio de 7,5% a.a. nesta década.

“Assim, a história econômica dos BRICs está acabada? Eu acho que não, mesmo sem a importante decisão de criar um banco de desenvolvimento, cujas consequências ainda vamos conhecer”, resume ele no final do artigo, citando o acordo firmado em julho para a implementação do chamado Banco dos BRICs e a criação de um fundo de reservas de US$100,00 bilhões.

 

Fonte: Estadão Conteúdo

 

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